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A Física Quântica e o “Algo Mais”

Toda vez em que há uma discussão entre aqueles que defendem a associação entre a física quântica e "algo mais" (grupo A) por um lado, e outros que querem saber o porquê dessa associação (grupo B) de outro, vemos resultar em acusações do tipo "visão cartesiana", "positivista", etc… vs. "esotérico", "místico"

Física Quântica

(Numa tentativa de "objetivação" dos grupos sociais em questão, rotulo-os como grupo A e grupo B).

Para ambos pode-se colocar os seguintes argumentos:

Ao grupo A:

Para um positivista a frase "a realidade física existiria mesmo que não existisse nenhum observador" é sem sentido, pois ela não é verificável. Entretanto, a grande maioria dos cientistas se considera um realista, onde tal frase não só tem sentido, mas considera-a verdadeira. Por outro lado, as pessoas do grupo A tendem a considerar que a influência do observador é quem cria a realidade e desse ponto de vista são mais positivistas que os cientistas, pois os primeiros entendem que sem seres humanos não haveria realidade nenhuma.

E ainda, ter uma visão cartesiana implica para o grupo A que o cientista separa o corpo da mente querendo dizer que a intuição (ou o que quer que seja de domínio íntimo) é separada completamente da razão. Ora, se assim o fosse, os relativistas não atacariam tanto o saber científico salientando que tal conhecimento tem um componente intuitivo, e que portanto está sujeito às circunstâncias históricas e sociais.

Fazer ciência tem aspectos da idiossincrasia humana, mas se minimiza tal fato aplicando-se o princípio da objetivação que é inerente ao método científico.

Se por isso não queremos fazer ciência ao associarmos a física quântica e "algo mais", então deve-se ter em mãos as justificativas para tal associação e como fazê-lo. Não basta apenas proferir afirmações gratuitas.

Ao grupo B:

Os do grupo B que normalmente se auto-denominam de céticos, vê-se que normalmente têm uma posição tão dogmática quanto os do grupo A, pois negam qualquer associação da fisica quântica e o "algo mais" de início, contra qualquer chance de argumentação do grupo A. Tal postura não é só indesejável, mas também criticável, já que um cético real suscita sempre a dúvida.

É certo que é difícl ver uma mistura de alhos com bugalhos sem uma justificativa ao menos plausível ou pelo menos filosoficamente embasada. Por outro lado, convicções e dogmatismos à parte, a via da dúvida sempre foi o melhor caminho a se trilhar em direção à construção de conhecimento.

     Se assim não o fosse, como seria possível estudar a consciência tanto cientificamente quanto filosoficamente? Aos do grupo A ela seria um conceito "divino" e portanto de conhecimento inatingível e aos do grupo B, ela nem chegaria a ser um objeto de estudo.

Concluindo, é preciso ouvir mais as idéias dos outros e embasar mais as nossas, pois elas podem abrir caminhos novos que nos levam ao conhecimento do real e do próprio ser humano.


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