Muito Barulho por Nada
Será que os meios justificam os fins? E será que fazer uma divulgação científica, mesmo que torta, vale a pena? Pergunto isto, porque algumas pessoas com cultura científica ao assistirem o filme (?!) “Quem somos nós?” disseram que mesmo não sendo uma divulgação científica, valia a pena ser assistido já que poderia atrair curiosos na direção da física quântica.
É certo que isto aconteceu, mas a visão que é passada pelo filme é tão distorcida (caso queira ler algumas críticas ao filme recomendo os artigos O Guia Cético para assistir a “What the Bleep do We Know?” Parte 1 e Parte 2 do blog Dragão da Garagem) que quando alguém ligado à ciência tenta explicar os erros, os leigos tendem a achar que esta pessoa não chegou a entender a proposta. E estes leigos nunca dão o braço a torcer, ou seja, admitir que por entender pouco do que é ciência, aceita-se tudo o que é dito no filme como se fosse verdadeiro.

O que aconteceu para que alguém que seja considerado um intelectual não tenha sequer o mínino de cultura científica? Que não saiba distinguir ciência do que não é? Será que isto não é resultado de uma disputa idiota entre as ciências exatas e humanas? Que ter lido Dostoiévski, Platão, Weber, Focault, Baudrillard, etc, etc, é in mesmo que não tenha entendido patavinas e que entender um pouco de matemática, física, química, biologia é coisa de geek ou nerd?
Enfim, se você quer se tornar um bleepado, nada contra. Vá em frente, se é isto o que você deseja. Mas como tudo na vida, é sempre melhor saber onde se está pisando antes de dar o próximo passo. Agora, se você está dando mesmo é um salto de fé, que pelo menos ela seja consciente.












