Evolução dos Conceitos da Física
Essa é uma disciplina quase que isolada e ministrada lá pelo 6º ao 8º semestre – nos finalmente – de um curso de Bacharelado ou Licenciatura em Física. Por esse motivo, infelizmente, poucos alunos dão real atenção a ela, já que é um curso mais bibliográfico em que se requer muita leitura e escrita, mas pouquíssimo cálculo. Se você tiver curiosidade de folhear alguns desses livros, faça o download da bibliografia que montei.
Felizmente, eu pude reservar tempo para esse curso e tive acesso à referência bibliográfica em diversas unidades da Universidade Federal de Minas Gerais. Ter oportunidade de ler diversos livros sobre ciência nos dá uma perspectiva bem diferente da que estamos acostumados a ver quando estamos lá sentados, ouvindo o professor falar e resolvendo algum cálculo.
Por exemplo, sempre ouvimos falar que Copérnico foi um revolucionário ao retirar a Terra do centro do Universo e colocá-la em movimento ao redor do Sol. Isso não é verdade. O que ele fez foi tentar manter ao máximo as ideias aristotélicas que tinha, descartando os epiciclos, deferentes, equantes e excêntricos – movimentos adicionais ao movimento circular que os astros deveriam ter no céu – que eram uma tentativa de consertar o sistema astronômico de Ptolomeu. Para Copérnico, o movimento da Terra era uma consequência menor dentro do problema do movimento dos planetas.

Continuando no problema do movimento dos planetas, muitos apenas dizem que esse é um problema ‘simples’ de mudança de referencial. Considera-se apenas a ideia da Terra parada no centro ou em movimento no Universo. Para efeitos de cálculo, pode ser um simples. Mas as consequências disso foram bem graves. Se a Terra não era o centro do Universo, então o ser-humano não era mais um ente especial criado por deus com uma morada privilegiada. Com a Terra em movimento, abre-se a possibilidade de que hajam outros sóis com outros mundos ao seu redor e que possam também ter vida.
Um outro exemplo é considerar que a física newtoniana é uma aproximação boa da física relativística a baixas velocidades. Para efeitos de cálculos, tudo bem. Diga-se isso, mas sempre se deveria lembrar que apenas para cálculos. As duas físicas tem base em ideias completamente diferentes. Na primeira, o universo ainda que infinito, o tempo era tido como uma medida sempre constante, universal e sem início, nem fim.
Para a física de Einstein, abre-se a possibilidade de que o universo possa ter várias geometrias até podendo ser finita. E pior ainda, tudo teve um início no Big Bang, inclusive o espaço e o tempo. Dependendo da massa total do Universo, pode ser que haja um fim com o universo ‘encolhendo’ até que a densidade seja tal que o espaço e o tempo deixem de existir podendo gerar um novo Big-Bang.

E se eu fosse falar de Física Quântica? Então, aí é que ficaria escrevendo até cansar…
Mas o que eu queria dizer mesmo é que se você quer ter alguma ideia de onde está pisando ao fazer um curso de física, engenharia e exatas em geral, além de aprender a fazer as contas, dê uma atenção especial a essa disciplina. É só um semestre e ainda vai perceber que a ciência não vive só de cálculos – ainda que muitos queiram dar essa impressão.













Caro autor, apreciei e aprendi algo do seu artigo. Obrigado !
24 de fevereiro de 2012 @ 23:02